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Artigo · Músculo

Creatina faz mal para os rins?

O que os estudos mostram sobre segurança, força e os mitos mais repetidos sobre o suplemento.

Retrato do Dr. Thiago Viana
Copo de água ao lado de um pote e uma medida de creatina em pó

Em resumo

Em pessoas saudáveis, os estudos não mostram prejuízo à função renal com o uso de creatina. Quem já tem doença renal, gestantes e lactantes devem conversar com o médico antes, porque há pouca pesquisa nesses grupos.

O que é a creatina e como ela funciona?

A creatina é uma molécula que o próprio corpo produz, no fígado, nos rins e no pâncreas, a partir de aminoácidos. Ela também vem da alimentação, principalmente de carnes e peixes. Não é hormônio nem anabolizante.

Cerca de 95% do estoque fica no músculo, na forma de fosfocreatina. Ela funciona como reserva rápida de energia: ajuda a regenerar o ATP durante esforços curtos e intensos, como uma série de musculação ou um tiro de corrida.

Por que existe o medo de que a creatina prejudique os rins?

A creatina aumenta a creatinina no sangue, e a creatinina é um dos marcadores usados para avaliar os rins. Esse aumento pode ser confundido com lesão renal, mesmo quando a função dos rins está normal.

As revisões sobre segurança concluem de forma consistente que não há efeito adverso sobre a função renal em pessoas saudáveis. A posição da International Society of Sports Nutrition segue a mesma linha. Se você faz exames de rotina, avise o médico que usa creatina.

Creatina causa desidratação, câimbra ou inchaço?

Os estudos controlados não sustentam a associação com desidratação ou câimbras. A creatina aumenta a água dentro da célula muscular, o que pode elevar um pouco o peso na balança, sem significar inchaço ou retenção prejudicial.

Um efeito real é o desconforto gastrointestinal, mais comum com quantidades altas de uma vez e raro nas quantidades usadas no dia a dia. Se acontecer, converse com o profissional que acompanha você sobre ajustar a forma de uso.

A creatina ajuda a ganhar força e massa muscular?

Sim, quando combinada com treino de força. Essa é uma das associações mais consistentes da nutrição esportiva, com benefício documentado em adultos jovens, idosos e mulheres na pós-menopausa. Sem treino, o efeito do suplemento sozinho é limitado.

Os resultados são cumulativos, ao longo de semanas. A creatina é suporte energético para o treino, não substituto dele.

Qual tipo de creatina tem mais estudo?

A creatina monoidratada é a forma mais estudada e com perfil de segurança mais bem documentado. Outras formas comercializadas têm menos evidência.

A quantidade adequada depende de peso, objetivo e condições de saúde de cada pessoa. Converse com um médico ou nutricionista antes de começar, principalmente se você tem doença renal ou está grávida.

Retrato do Dr. Thiago Viana

Quem escreve

Dr. Thiago Viana

CRM-SP 144.585

Nutrologia · Medicina do Esporte · Ortopedia e Traumatologia

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Fontes consultadas (2)
  1. Kreider RB et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr, 2017 (doi.org)
  2. Antonio J et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation: what does the scientific evidence really show? J Int Soc Sports Nutr, 2021 (doi.org)

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta.

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